QUANDO A PALAVRA É DESISTIR...
Existe um momento na vida de cada pessoa que o "e se?" chega e atormenta a mente. E se eu não fiz a boa escolha? E se o caminho era outro? E se depois de todo esse tempo eu tivesse que voltar atrás? E se meus sonhos tomassem outra direção, outras formas e me conduzisse a outros lugares? E se eu parasse tudo o que fosse possível e recomeçasse?
Temos em nós o sentimento de que quando desistimos de um caminho tomado é como se tivéssemos que reconhecer abertamente nosso erro, nossa má decisão, nossa fraqueza como ser humano que não soube ter o discernimento de fazer as escolhas certas na hora certa.
E o que dói mais não é o querer recomeçar, pois se muitos pudessem ou tivessem coragem bastante, recomeçariam sem hesitação. O que dói é o sentimento de ter perdido uma batalha pela qual tínhamos nos empenhado, é a sensação do desistir que nos dá o sentimento de fraqueza, sobretudo, quando ouvimos tanto e tanto que nunca devemos desistir.
Mas devemos desistir sim, se a situação pede ou mesmo exige de nós uma atitude. Continuar num caminho que sabemos que é ruim só para dar aos outros a idéia de que somos infalíveis é criar em volta de nós uma imagem hipócrita, pois mostramos ao mundo o que ele quer ver e sepultamos nossos sentimentos.
E ninguém vê quando choramos escondidos, ninguém conhece a dor e o sentimento de escuridão que atravessa nosso espírito nos momentos em que nos encontramos com nós mesmos; ninguém sabe por nós o que é morrer devagarzinho Se não pudéssemos mudar de idéia, de opinião, de caminho, Jesus nunca teria vindo na terra. Ele veio, para que soubéssemos que podemos desistir de idéias pré-concebidas, de decisões anteriormente tomadas como boas, de caminhos que só nos conduzirão à perda do nosso eu e à diminuição da nossa personalidade.
Desistir de algo que se almejou e se lutou para ter, não é dar um passo atrás. Se não estamos satisfeitos, o melhor é avançar e se isso significa dar um passo atrás, devemos dar esse passo sim!
Só podemos fazer os outros felizes se nos sentimos felizes. Ninguém fala da beleza da lua e das flores se essa beleza não tiver atingido seu coração, se não estiver impregnada na sua alma.
O exemplo que devemos deixar aos nossos filhos não é o de uma pessoa infalível e perfeita, mas de uma pessoa que soube extrair do âmago da vida e dos seus ensinamentos aquilo que esta lhe ofereceu.
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