ASPECTOS PSICOLÓGICOS - HÉRNIA DE DISCO
FATORES PSICOLÓGICOS PODEM PROVOCAR HÉRNIA DE DISCO?
Não, pois a hérnia de disco é provocada por um conjunto de fatores orgânicos e "mecânicos" que determinam o enfraquecimento das estruturas do disco intervertebral e conseqüentemente sua rotura. No entanto, isso não exclui a presença de alterações psicológicas em uma pessoa portadora de hérnia de disco.
HÉRNIA DE DISCO PROVOCA DISTÚRBIOS PSICOLÓGICOS?
Ocasionalmente sim, particularmente nos quadros de dor crônica. A dor persistente é capaz de provocar distúrbios psicológicos, por interferir negativamente nas atividades normais das pessoas, limitando-as. A dor crônica muitas vezes é acompanhada de quadros de ansiedade e de depressão.
ALTERAÇÕES PSICOLÓGICAS INTERFEREM NO TRATAMENTO DA HÉRNIA DE DISCO?
Dependendo da sua intensidade e duração, tanto a ansiedade como a depressão pode influir no resultado do tratamento. Quando as alterações são de curta duração, prejudicam a atividade do paciente e este tem o real desejo de voltar rapidamente à normalidade, as alterações psicológicas tendem a desaparecer com o tratamento da causa da dor. Por outro lado, paciente com dor crônica, deprimido, afastado do seu trabalho e das atividades normais, pode criar um vínculo de dependência com familiares, cuidadores e com a própria dor crônica, da qual não querem ou não podem sair com facilidade. Nestes casos o tratamento deve ser mais abrangente e não se restringir à remoção da causa da dor.
COMO SE TRATA A DOR CRÔNICA ASSOCIADA A FATORES PSICOLÓGICOS?
Os resultados do tratamento são muito mais eficazes quando é feito de forma integrada, envolvendo vários profissionais. Além do tratamento da hérnia de disco e da conseqüente compressão radicular, são abordados outros aspectos físicos que provocam dor, juntamente com a ansiedade e depressão. Utilizam-se medicamentos, fisioterapia e suporte psicológico e comportamental, procurando eliminar ou controlar todos os seus fatores causais.
EXISTEM OUTRAS ALTERAÇÕES PSICOLÓGICAS, ALÉM DA ANSIEDADE E DA DEPRESSÃO, QUE PODEM INTERFERIR NO TRATAMENTO DA HÉRNIA DE DISCO?
Sim. Nos estudos científicos destes fatores, destaca-se aquele que envolve a presença ou não de alguma forma de compensação pela existência da dor. Sendo esta um fenômeno subjetivo, difícil de mensurar e mesmo de comprovar, pode-se estar diante de uma série de variáveis de difícil controle. Pessoas diferentes reagem de modo diverso a uma mesma causa de dor e até de uma mesma intensidade de dor. Pessoas acostumadas a sofrer traumas, como atletas, trabalhadores em indústria pesada, policiais e soldados, reagem muito menos e aparentemente sentem muito menos dor do que pessoas em atividades manuais delicadas ou atividades intelectuais. Uma mesma pessoa pode reagir de modo muito diferente em situações extremas: em um acidente grave pode não sentir dor alguma e, por outro lado, sentir dor intensa numa simples queimadura ao tocar uma chaleira quente. Há também diferenças culturais relacionadas a dor. Quando há formas de compensação pela presença de dor, como ocorre nas indenizações por acidentes de trabalho, freqüentemente encontram-se pacientes que jamais melhoram, independentemente da forma de tratamento utilizado. Nestes casos, pode ocorrer tanto a persistência de fato da dor como uma simulação da mesma. A sua diferenciação é difícil, mas é possível. De qualquer modo, sabe-se, há tempo, que as indenizações por acidentes de trabalho são fatores importantes no insucesso do tratamento da dor causada por hérnia de disco.
Dr. Ft. Ellington Paes Alves (CREFITO 30418
Pós-graduado em Fisioterapia Desportiva
Membro da SONAFE - Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva)